Há 60 anos: Austin-Healey Sprite

O Austin-Healey Sprite é um dos mais reconhecidos desportivos britânicos e a par com o seu “irmão” MG Midget ocupou o lugar de entrada neste fascinante mundo.

O Austin-Healey Sprite com os seus famosos faróis destacados da carroçaria

 

A 20 de Maio de 1958, no Mónaco, a BMC anunciava o seu novo desportivo: o Austin-Healey Sprite. Com um posicionamento de mercado na base da pirâmide dos desportivos, a BMC introduzia uma proposta mais acessível face aos MGA e Austin-Healey 3000 já presentes no portefólio da empresa.

O Sprite foi desenvolvido pela Donald Healey Motor Company, com o objectivo de criar o desportivo mais acessível do mercado. A produção ficaria a cargo da MG na sua fábrica de Abingdon e a comercialização seria supervisionada pela BMC.

A receita utilizada era simples: uma carroçaria monocoque com painéis estruturais para garantir a rigidez necessária, que fez do Sprite o primeiro desportivo com esta arquitectura, o já conhecido motor da série A com 948cc proveniente do Morris Minor 1000, mas com 2 carburadores SU que elevavam a potência dos 37 para os 43cv. Estes revelavam-se suficientes para acelerar os 670kg do Sprite até aos 100km/h em cerca de 21 segundos e atingir uma velocidade máxima de 133km/h – boas prestações numa época em que um Morris Minor 1000 demorava quase 40 segundos no mesmo sprint.

Uma curiosidade do pequeno Sprite são os seus faróis, que lhe concederam a alcunha de “Frogeye” (olhos de sapo). Originalmente concebidos para serem escamoteáveis (com um sistema semelhante ao do Porsche 928) mas logo os planos foram abandonados devido aos custos demasiado elevados deste sistema para um veículo com aspirações low-cost, ficando estes fixos numa posição algo peculiar.

A primeira geração do Sprite foi produzida entre 1958 e 1961, período no qual 48,987 unidades saíram da fábrica de Abingdon.

O Austin-Healey Sprite mk2 apresentava agora uma carroçaria mais convencional e típica dos anos 60

 

Em Maio de 1961 surge o Sprite mk2, agora também acompanhado de uma versão MG, denominada “Midget”. O “Spridget”, como ficou conhecido a partir daí, apresentava uma carroçaria redesenhada, mais em linha com o futuro MGB e que apresentava agora um acesso exterior à bagageira. Além disso, o mesmo motor de 948cc recebia agora carburadores maiores, resultando em 47cv extraídos do pequeno bloco, acompanhados de uma caixa de velocidades “close-ratio”.

Em Outubro de 1962 o Sprite e o Midget receberiam a nova versão de longo curso deste motor, agora com 1098cc e uns mais expressivos 56cv e a travagem receberia agora discos no eixo dianteiro.

Após 31,665 unidades produzidas do Sprite mk2/Midget mk1, em 1964 o “Spridget” era revisto e recebia agora puxadores exteriores e vidros laterais que corriam verticalmente, alterações na suspensão para proporcionar maior conforto, bem como outras alterações de pormenor, passando agora a mk3 (Midget mk2).

Em Outubro de 1966 é apresentada em Londres a quarta e última (o MG Midget continuaria a produção) iteração do Sprite. Este recebia agora o motor 1275 de 65cv e capota retráctil ao invés de uma capota desmontável. 1969 viu a substituição do dínamo por um alternador e 1970 trouxe alterações estéticas de pormenor.

 

A versão MG diferia apenas em pequenos pormenores cosméticos

 

Em 1971 terminaria a produção da versão Austin-Healey numa manobra levada a cabo por Donald Stokes de forma a reduzir custos e terminar os pagamentos a Donald Healey pela utilização do nome.

Em 1974 aparece o MG Midget 1500, agora com os pára-choques em borracha destinados ao mercado americano e motor oriundo do Triumph Spitfire acoplado a uma caixa de velocidades modificada de Morris Marina. Em 7 de Dezembro de 1979 termina a produção do MG Midget, 9 anos após o fim da versão Austin-Healey.

O Midget 1500 é identificável pelos seus pára-choques volumosos em borracha

 

O Austin-Healey Sprite/MG Midget ficaram para a história como os desportivos mais acessíveis do mercado e também dos mais divertidos, que possibilitaram o acesso a este tipo de veículos a classes que dificilmente poderiam aspirar a modelos mais potentes e caros.

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