Há 50 anos: Range Rover

O Range Rover é possivelmente um dos automóveis mais importantes da história, tendo influenciado o rumo da indústria automóvel de forma irreversível. A 17 de Junho de 1970 o mundo automóvel viraria para sempre…

Poucos automóveis têm o crédito de influenciar o mundo de forma tão decisiva como o Range Rover, um produto criado a partir de uma ideia simples que, 50 anos depois, continua a conquistar clientes de todos os cantos do mundo.

O Land Rover original tinha como objectivo ser um veículo polivalente, robusto e simples, que tanto poderia servir como veículo de apoio a actividades agrícolas como carro dos bombeiros. No entanto, o Land Rover não conseguia desempenhar o papel de estradista de forma satisfatória. A sua simplicidade e polivalência tão prezadas fora de estrada revelavam-se pontos críticos em estrada. Ruidosos, duros e vagos são características que assentam que nem uma luva a um Land Rover Series.

Desde bem cedo que a necessidade de um produto mais estradista havia sido identificada, com várias tentativas de criar um produto mais competente em estrada. Logo em 1950 aparecia o Land Rover Series I Station Wagon by Tickford, uma versão aburguesada do Land Rover Series I 88 mas sem grande sucesso junto dos clientes.

Depois de identificada a necessidade, era hora de definir as bases do projecto. O novo veículo teria de manter as capacidades de todo-o-terreno do irmão mais utilitário mas com o conforto das berlinas Rover de estrada. Para isso era obrigatório um sistema de tracção integral, eixos rígidos e molas helicoidais para garantir o maior conforto possível sem penalizar as prestações fora de estrada. A equipa escolhida para liderar o projecto foi nada mais nada menos do que a dupla David Bache (desenho) e Charles Spencer King (engenharia).

O desenho da carroçaria seguiria linhas simples e direitas com tecto flutuante, uma linguagem de estilo estreada no Rover P6. No departamento mecânico, o recém chegado Rover (ex-Buick) V8 3.5 seria o responsável pelas boas prestações do Range Rover.

O Range Rover chegou com estrondo ao mercado, por combinar capacidades únicas de todo-o-terreno e conforto como nenhum outro, uma postura aburguesada sem ser pretensioso. O Range Rover tornou-se rapidamente num favorito das famílias de classe média-alta e alta com um estilo de vida activo. Surgia o conceito de SUV, tão em voga hoje em dia.

Durante a década de 70 o Range Rover manteve-se praticamente inalterado, com vendas a demonstrar o sucesso da fórmula durante a era da British Leyland. Em 1982 era introduzida a tão aguardada versão de 5 portas, algo muito procurado pelo mercado mas até então ignorado pela marca. Por esta altura surgiam versões especiais para aumentar o appeal do Range Rover no mercado, nomeadamente a conhecida versão “In Vogue” que oferecia ao cliente uma versão mais luxuosa da receita já conhecida. Começa, então, a escalada do Range Rover no mercado, agora não apenas visto como um todo-o-terreno para a estrada mas também como um sério concorrente das tradicionais berlinas de luxo. Surgem ainda motorizações Turbo Diesel, cortesia da VM Motori, em 1986. 1987 marca o início da exportação oficial do Range Rover para os Estados Unidos e Canadá, mercado que se revelou uma fonte de receita invejável.

No final da década de 80 o Range Rover encontrava-se no seu auge mas a concorrência aproximava-se rapidamente. Ao fim de 20 anos era necessário um sucessor para o Range Rover que tão bem havia representado a oval no mundo.

Em 1994 surge o Range Rover P38A, a segunda geração do modelo ao fim de 24 anos de comercialização, com uma clara aposta na tecnologia e na evolução. As mecânicas a gasolina mantinham-se com o venerável Rover V8, agora em 3.9 (comercializado como 4.0) e 4.6 litros de capacidade. Do lado Diesel surgia agora o BMW M51 de 6 cilindros e 2.5 litros de capacidade. A carreira do P38A foi curta e sinuosa, com grandes problemas de qualidade a assolarem as primeiras unidades e uma fiabilidade nem sempre aprimorada.

Em 2002 é lançada a terceira geração, denominada L322, um produto totalmente da era BMW. Longe estavam agora os Rover V8, para dar lugar ao BMW M62 V8 de 4.4 litros. A versão Diesel ficava agora a cargo do BMW M57 de 3 litros. Esta nova versão era agora ainda maior, mais luxuosa e cara. O Range Rover L322 foi alvo de diversas actualizações profundas ao longo dos anos, como a substituição do BMW M62 pelo Jaguar AJ-V8 e do BMW M57 pelos Ford/PSA Lion V8.

Em 2012 é apresentada a actual geração do Range Rover, o L405, com ainda mais tecnologia de bordo e conforto, agora marcado pela utilização, pela primeira vez, de um chassis monocoque em alumínio, uma estreia num veículo do género.

A família Range Rover foi expandindo ao longo dos anos, com a introdução de modelos como o Sport, Velar e Evoque, modelos que captam o espírito Range Rover em carroçarias mais compactas e propostas mais acessíveis (ou menos proibitivas).

O Range Rover assumiu uma enorme importância no mundo automóvel. Foi o primeiro automóvel a conjugar excelentes capacidades de todo-o-terreno com o conforto e utilização de uma berlina comum, tudo isto com um design brilhante que se tornou num ícone. Em 50 anos o Range Rover tornou-se maior, mais luxuoso e o seu posicionamento foi subindo gradualmente. Com mais concorrência que nunca, com marcas de peso como Bentley, Rolls-Royce e Aston Martin com o topo-de-gama da oval na mira, o futuro não se avizinha tão fácil para o Range Rover como o passado.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *