Há 30 anos: Land Rover Discovery

O Land Rover Discovery assegurou a continuidade da oval verde até ao novo século e é hoje um importante pilar na gama Land Rover. Hoje celebramos os 30 anos da sua existência.

Introdução

É difícil acreditar que há 30 anos foi apresentado o Land Rover Discovery, o modelo que, de várias maneiras, foi o catalisador do sucesso da marca e construiu uma enorme base de fãs ao longo de três décadas.

Anunciado a 16 de Setembro de 1989, o Discovery foi revelado à imprensa no Salão Automóvel de Frankfurt. Aqui estava um veículo que ficava a meio caminho entre o 90/110 existente e o Range Rover, com uma aparência moderna e elegante. O mesmo também se poderia dizer do interior desenhado por Terence Conran, mesmo que a cor original Sonar Blue não tenha recebido elogios universais.

Sem o Discovery, a Land Rover não teria tido o sucesso que teve até aos dias de hoje. Para uma marca que era parte integrante do Rover Group, então recentemente privatizado, o Discovery provou ser um gerador de receita muito necessário e significativo e o seu sucesso também ajudou a financiar fortemente um novo Range Rover. E não esquecer que as vendas do Discovery também incentivaram a direcção do Rover Group a expandir-se para outros sectores do mercado.

Os mais atentos podiam observar a quantidade de peças reutilizadas de outros modelos do grupo, pois o Discovery derivava directamente do Range Rover e usava diversos componentes provenientes dos Maestro Van, Montego e Freight Rover para manter os custos baixos. Mas não havia como negar que o Discovery era veículo seriamente competente, que não só podia lutar contra os gostos dos consagrados Mitsubishi Pajero, como também era um ataque directo às vendas de veículos tradicionais. Até mesmo os representantes das empresas japonesas rivais ficaram perplexos ao saber que o projecto demorou apenas 34 meses desde a aprovação do projecto Jay até à apresentação ao público.

Inicialmente o Discovery seria apenas comercializado na versão de 3 portas, para evitar concorrência interna com o Range Rover. Debaixo do capot encontrava-se o veterano 3.5 V8 numa versão carburada e o novíssimo 2.5 diesel 200 Tdi de injecção directa. O equipamento de série era espartano e a lista de opcionais extensa, que compreendia desde os vidros eléctricos até aos 7 lugares, através da inclusão de dois bancos laterais na bagageira. A Land Rover acertou em cheio com esta política de equipamento, dado que os clientes não se importavam de pagar os extras e estes representavam um importante encaixe financeiro adicional para a Land Rover. Como se não bastasse, os clientes tinham ainda à escolha uma ampla lista de acessórios originais para decorarem os seus Discovery.

O Discovery capturou na perfeição o imaginário de novos clientes e a imprensa não ficou menos impressionada, o que levou a listas de espera de um ano no primeiro ano de produção do Discovery. No entanto, a Land Rover não se podia dar ao luxo de desinvestir neste novo modelo do seu portefólio. Um ano mais tarde chega a versão de 5 portas e o V8 recebe injecção electrónica. No interior surgem também novidades, com a cor Bahama Beige agora disponível, em alternativa ao Sonar Blue.

Ao longo dos anos seguintes o Discovery foi sofrendo pequenas modificações, com a introdução de novos pacotes de equipamento. Em Outubro de 1992 o Discovery recebia jantes de 16 polegadas e barras estabilizadoras, bem como a opção da caixa de velocidades automática no V8i, opção que viria a ser disponibilizada no ano seguinte para a versão Diesel.

Em Junho de 1993 aparecia a versão 2.0 a gasolina, com o novo Rover Série T debaixo do capot que disponibilizava 136cv. Pouco popular, esta versão era direccionada para os mercados que penalizavam excessivamente a versão V8i, como Itália e Portugal.

Em 1994 o Discovery sofreu uma revisão mais profunda, com o nome de código “Romulus”, que trazia um novo interior mais luxuoso com nova instrumentção. Também do lado da segurança havia novidades, com a introdução de airbags (opcionais) e zonas de deformação. O Discovery subia agora o seu posicionamento no mercado, e piscava o olho ao mercado americano. A versão ES reflectia as intenções da marca, que disponibilizava bancos em pele, ar condicionado e duplo airbag de série. Também o motor diesel sofria modificações de forma a cumprir as novas normas de emissões mais exigentes e a reduzir o ruído de funcionamento. Era agora comercializado como 300 Tdi.

Por esta altura a procura pelo Discovery era tão forte que um terceiro turno de produção teve de ser implementado. Em 1995 a produção do Discovery excedeu as 70.000 unidades.

O legado

Em 1998 aparecia a segunda geração do Discovery, agora disponível apenas na versão de 5 portas, com uma aposta clara na tecnologia e luxo com o novo motor diesel Td5, um moderno 5 cilindros com a mesma cilindrada dos antigos 200/300 Tdi e o primeiro motor diesel totalmente novo da marca em mais de 40 anos.

27 de Maio de 2004 trouxe o primeiro Discovery do novo milénio. Conhecido como Discovery 3, o novo modelo era agora muito maior, mais pesado e mais luxuoso que o antecessor, sem descurar as capacidades todo-o-terreno. Estreava-se pela primeira vez na gama Discovery o sistema Terrain Response. Em 2009 o Discovery 3 passaria a 4, após uma remodelação profunda e inclusão de novos motores e tecnologias.

Em 2017 surge a quinta geração do Discovery, ainda mais luxuosa que as anteriores mas com um desenho mais suavizado. Apesar da enorme competência que sempre caracterizou o Discovery, a quinta geração tem conhecido uma carreira discreta, muito por culpa da concorrência cada vez mais agressiva e estética divisiva.

Conclusão

Ao longo de 30 anos o Land Rover Discovery tem acompanhado a evolução do mercado dos todo-o-terreno, que procura cada vez mais luxo e conforto. No entanto, a Land Rover soube manter as capacidades de todo-o-terreno e enorme versatilidade que sempre caracterizaram a marca e formaram uma enorme legião de fãs do modelo. O posicionamento do Discovery pode ter mudado muito em 30 anos, mas não a sua importância para a casa-mãe. E duvidamos que a perca nos próximos 30 anos.

 

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