Há 20 anos: Land Rover Discovery 2

A 1 de Junho de 1998 saíam de Londres dois Discovery 2 com duas equipas de jornalistas para a expedição “New Discovery TreK” que terminaria em Setembro no Salão de Paris para a apresentação oficial do modelo, mais de 30.000km depois.

A segunda geração do Discovery manteve as linhas praticamente inalteradas

A primeira geração do Land Rover Discovery veio revolucionar o posicionamento da Land Rover no mercado no final de 1989, fazendo a ponte entre o “Land Rover” e o Range Rover numa época em que a concorrência começava a oferecer produtos orientados para o “lifestyle”. O Discovery revelou-se um enorme sucesso, com 392.443 unidades produzidas durante 9 anos e era agora um modelo de enorme relevância para a marca.

Apesar da excelência do Discovery original, os 9 anos de carreira viram diversas mudanças de paradigma no mercado e na própria marca. A concorrência oferecia produtos cada vez mais competentes e a marca era agora muito diferente da Land Rover de 1989. Ainda assim, em 1994 o Discovery sofreu alterações relativamente profundas, com a introdução do novo motor 300 Tdi e diversos ajustes estéticos e técnicos, mas em 1998 era já claramente um produto de outra época ao lado dos Range Rover P38A e Freelander que o acompanhavam nos concessionários.

Para a nova geração os estudos de mercado realizados eram categóricos: os clientes não queriam mudança, queriam melhoramento. Desta forma, começou um processo de autêntica revolução técnica e tecnológica, o projecto Tempest.

 

A estética

Nesta fotografia são visíveis as diferenças estéticas diminutas entre as duas versões

O Discovery 2 desde cedo foi encarado como uma evolução do Discovery original, portanto, as linhas seriam apenas retocadas de forma a trazer a forma básica para o século XXI.

A maior diferença entre as duas gerações é o maior comprimento da traseira do Discovery 2, para permitir um maior espaço interior e ainda uma terceira fila de bancos virada para a frente, mais utilizável e confortável que os bancos laterais da primeira geração. Ainda na traseira os farolins foram colocados mais acima de forma a melhorar a segurança.

Nas laterais os painéis foram moderadamente redesenhados e os puxadores das portas vistos pela primeira vez no Morris Marina davam agora lugar a puxadores modernos em plástico, Também na frente as alterações foram de pormenor, agora com piscas com a altura do farol principal e um novo tratamento da grelha.

Apesar das semelhanças entre as duas gerações, apenas o portão traseiro transitou para o novo modelo, sendo que mais nenhum painel de carroçaria é igual.

Também no interior as diferenças foram residuais, resumindo-se a novos equipamentos como a climatização automática, um novo painel de instrumentos electrónico, forras das portas modernizadas e novos bancos e ainda um novo volante.

 

A tecnologia

O revolucionário Td5 era a cereja no topo do Discovery 2

Se a estética não é um elemento de marcada diferença entre as duas gerações, o mesmo não se pode dizer da tecnologia. O Discovery 2 viria a ser uma montra do poderio tecnológico da Land Rover dos anos 90, com inúmeros elementos que facilitavam a convivência com o Discovery e as suas capacidades. ABS, ACE, EBD, HDC, SLS, ETC eram os elementos referidos no material publicitário da Land Rover, numa altura em que a marca parecia obcecada por acrónimos.

Na verdade estes elementos não eram simples manobras de marketing. O ACE (Active Cornering Enhacement) e o ABS com EBD vinham melhorar consideravelmente a utilização estradista do Discovery, ambiente em que o seu antecessor ainda não enfrentava sem reservas, enquanto que o HDC (Hill Descent Control), o SLS (Self-Levelling Suspension) e o ETC (Electronic Traction Control) garantiam que a nova geração do Discovery mantivesse a capacidade lendária de todo-o-terreno da marca.

Também nos motores a mudança foi radical. O venerável 300 Tdi, cujas origens podiam ser traçadas até ao 2 Litre Diesel inaugurado no Série I, deu lugar a um totalmente novo motor de 5 cilindros, resultante do projecto Storm do grupo Rover, cujo objectivo era o de criar uma família de motores de 4, 5 e 6 cilindros Diesel preparada para o século XXI. Devido à compra do Rover Group pela BMW em 1994 e o acesso deste a mecânicas de origem BMW, apenas o motor de 5 cilindros viu a luz do dia. Tratava-se de um moderno motor de injecção directa por injector-bomba controlado electronicamente que conferiu ao Discovery performances, emissões e refinamento anteriormente impossíveis com os velhos Tdi. A versão a gasolina manteve em serviço o lendário Rover V8 3.9, agora comercialmente designado por 4.0 (apesar de não ter havido alteração de capacidade), mas agora equipado com sistemas de gestão mais modernos.

No campo das caixas de velocidades, a caixa manual de 5 velocidades R380 estreada no Discovery 300 viu o seu serviço prolongado, enquanto que a transmissão automática de 4 velocidades da ZF deu lugar à versão de comando electrónico da mesma caixa de velocidades que permitia muito maior controlo da acção da caixa de velocidades.

 

Conclusão

Land Rover Discovery de 2003

Com o Discovery 2 a Land Rover não pretendeu revolucionar o Discovery mas sim prepará-lo para os novos desafios do mercado, dotando-o de tecnologia de ponta e novos equipamentos que tornaram a segunda geração do modelo muito mais civilizada e confortável. Aquele que era um modelo simples e algo básico transformou-se num modelo mais equipado e luxuoso, numa tendência que se verificou na gama Discovery desde então.

O Discovery 2 serviu com lealdade a marca até 2004, ano em que entrou ao serviço o Discovery 3 que perpetuou o legado do Discovery e o abriu a novos mercados.

 

Vídeo publicitário do Discovery 2 com referência ao “New Discovery TreK”:

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