Há 20 anos: Jaguar S-Type

O Jaguar S-Type marcou o regresso da Jaguar a um segmento que lhe pertencia com os MkII e S-Type dos anos 60. Apresentado no Birmingham Motor Show a 20 de Outubro de 1998, o novo membro da família Jaguar foi ofuscado por outros acontecimentos durante a sua apresentação…

O Jaguar S-Type ao lado do seu homónimo de 1963

 

O contexto

Durante os anos 50 e 60 a Jaguar era dona e senhora do segmento médio-alto com os seus magníficos saloons MkI e MkII e seus derivados. No entanto, devido à crise que a marca atravessava a caminho do final da década de 1960 com modelos envelhecidos e incapazes de fazer frente aos novos rivais da Rover e da Triumph bem como à concorrência continental da Mercedes-Benz e BMW.

Devido à situação financeira algo delicada da marca de Browns Lane, Sir William Lyons optou por substituir toda a gama de saloons (todos com base nos MkII e MkX) por um modelo único que iria ocupar uma posição mais upmarket que os mais pequenos saloon da gama, o XJ.

A história do XJ é longa e rica ao longo de 50 anos mas as crescentes exigências do mercado tornaram as poucas unidades anuais do XJ e XJ-S insustentáveis para os custos de desenvolvimento cada vez maiores.

Assim sendo, já sob a batuta da Ford, que adquiriu a marca em 1989, e depois de um enorme investimento na modernização das linhas de produção e no controlo de qualidade, finalmente chegava a altura de expandir a marca. E assim, pela primeira vez em quase 30 anos, a Jaguar voltava a atacar o segmento E.

Em 1994 começaram os planos para um novo Jaguar, baseado no suposto futuro topo-de-gama da Ford.

 

O desenho

Uma maquete em barro do S-Type

Desde cedo o centro de design da Jaguar começou a trabalhar no novo modelo e várias propostas foram apresentadas em Maio de 1995:

  • Proposta D um Saloon estilo Coupé inspirado no XK X100.
  • Proposta E uma proposta ao estilo do XJ de dimensões mais reduzidas.
  • Proposta F uma reinterpretação moderna do MkII.
  • Proposta G que era descrito como “bastardo”, dado que não tinha qualquer imagem de marca típica da Jaguar.
  • Proposta H outra reinterpretação do MkII com uma frente ao estilo do Aston Martin Vignale.

No final da avaliação optou-se pela proposta H, com o tratamento frontal da proposta F. Estava assim definida a base do novo S-Type, trabalhada pelo falecido Geoff Lawson. Mais à frente veremos que esta decisão talvez não tenha sido a mais acertada, e que a Ford não conseguiu perceber o mercado do S-Type.

O novo modelo seria baseado na nova plataforma Ford DEW, uma plataforma muito mais moderna do que aquela que equipava o XJ, com óbvias vantagens a todos os níveis. A equipar o S-Type estariam os novos AJ-V6 e AJ-V8 em desenvolvimento desde o início da década de 90.

Também o interior era diferente daquilo que era habitual na Jaguar e que viria a revelar-se um dos calcanhares de Aquiles do carro.

O interior do S-Type podia ser mais moderno do que os da restante gama, mas de Jaguar pouco ou nada tinha…

 

O lançamento

Nick Scheele apresenta o S-Type no Birmingham Motor Show

A Jaguar havia escolhido o Birmingham Motor Show, para assinalar o regresso de uma marca tipicamente britânica a um novo mercado, e nenhum outro palco seria tão apropriado como a sua própria casa. Infelizmente para a Jaguar a Rover teve a mesma ideia com o seu novo 75.

Ambos os saloons médios das marcas inglesas foram apresentados no mesmo dia mas enquanto um causou estrondo (por bons e maus motivos), o outro deixou a imprensa pouco convencida, e não foi o Rover. Ao lado do 75 de Richard Woolley o S-Type parecia estranho, de proporções pouco habituais e certamente menos harmonioso que o novo topo-de-gama de Gaydon.

Para piorar, o Rover roubou todo o protagonismo nos jornais ao S-Type, devido ao discurso bombástico de Pischetsrieder. Se o novo Jaguar já estava a ser recebido de forma pouco calorosa, rapidamente passou ao “esquecimento” depois de Birmingham.

Quando os primeiros testes saíram no início de 1999 a imprensa também não ficou particularmente impressionada. Enquanto o estilo exterior era elogiado pelas referências ao passado, o interior era o aspecto mais criticado do carro, sendo inclusivamente apelidado de “Euro-bland” por Richard Hammond. Também o chassis não teve a melhor das críticas na sua configuração inicial.

Felizmente o S-Type foi sofrendo algumas actualizações importantes que melhoraram o produto consistentemente e resolveram a grande maioria das críticas apontadas às unidades iniciais.

 

Conclusão

O S-Type R trouxe a veia desportiva do XJR ao S-Type

Terá o S-Type alcançado o objectivo da Jaguar de duplicar a produção? De todo. Na verdade o S-Type poucos clientes novos conquistou no mercado, sendo que muitos dos seus compradores eram já clientes da marca e as vendas do XJ caíram a pique.

O S-Type era um excelente automóvel mas a marca arriscou demasiado numa fórmula retro que não resultou como esperava, que acabou por afastar potenciais clientes e solidificar uma imagem envelhecida da Jaguar. Em 2007 o S-Type era já uma proposta totalmente anacrónica num mundo que tinha ultrapassado a febre saudosista do final dos anos 90. Era o símbolo dos problemas que a Ford teve em perceber a Jaguar. A Jaguar foi sempre uma marca vanguardista e, embora continuasse a ser tecnicamente avançada, ficou com o desenho preso ao passado durante demasiado tempo e quase lhe custou a vida.

Apesar do estilo de sucesso questionável (e que o mercado confirmou), o chassis do S-Type estava bem actualizado, mesmo no final da sua vida e serviu de base à primeira geração do XF com poucas alterações, que veio a provar ser bem mais competitivo no segmento.

O XF veio provar que o S-Type apenas precisava de uma estética diferente e moderna

 

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