Contacto: Jaguar I-Pace

A história da Jaguar é uma das mais ricas da indústria automóvel, mas nem por isso marcada por momentos de extraordinária revolução. O novo I-Pace é isso mesmo, uma revolução, que será tão ou mais importante que a do XJ em 1968. O XJ moldou a marca no último meio-século, mas o I-Pace marca o ponto de viragem na filosofia da marca para o futuro. É o seu primeiro modelo eléctrico de produção e será a base do novo XJ, portanto podemos assumir que se trata de um “all-in” da marca de Coventry. Se esta base falhar, o futuro da marca poderá estar comprometido.

 

Muito já foi escrito sobre o I-Pace nas últimas semanas. Desde os seus 400cv que venceram uma drag-race ao rival Tesla Model X aos 480km de autonomia extraídos da bateria de 90kWh montada sob o piso, mas poucos falaram realmente do produto em si, daquilo que não vem numa press-release. Tivemos a oportunidade de ver o novo I-Pace ao vivo na M. Coutinho de Coimbra e, mesmo sendo uma versão de pré-produção, deu para ter uma ideia muito próxima daquilo que será o I-Pace que chegará aos concessionários em Junho.

 

Exterior

 

Se o objectivo da Jaguar era impressionar, então cumpriu-o com distinção. Quando colocado ao lado da restante gama, o I-Pace consegue a proeza de tornar desinteressante aquela que será uma das gamas de linhas mais apuradas do segmento premium. Desde a frente baixa mas imponente à traseira musculada, os traços decalcados do concept impressionam, ainda que este Photon Red disponível na versão First Edition não seja a cor que mais realça os flancos totalmente lisos com puxadores escamoteáveis. É ainda agradavelmente compacto e baixo, bem mais do que as primeiras imagens fariam antever. Esta sensação é ainda mais acentuada pelas jantes de 22 polegadas que equipavam a unidade exposta.

É sem dúvida um Jaguar “diferente” do tradicional mas exibe todo o ADN da marca. A Jaguar soube abraçar novas tecnologias sem perder a sua linha distinta, aqui adaptada a uma nova realidade tecnológica.

 

 

Interior

 

No interior podemos confirmar a continuação do tema futurista do exterior sem esquecer as raízes do fabricante, com o tablier e as portas forrados a pele nesta versão e painéis de madeira de grandes dimensões, a fazer lembrar os tradicionais interiores da Jaguar. Ao centro encontramos dois ecrãs de controlo. Um superior, onde todas as informações de entretenimento, navegação e do sistema eléctrico do veículo podem ser vistas. Mais abaixo, e integrado com duas rodas físicas, um pequeno ecrã onde são vistas as informações da climatização, e por fim, um terceiro ecrã no painel de instumentos, todos eles com excelente qualidade de imagen.

A qualidade de construção foi uma surpresa, também. Num modelo que consegue ser quase 10% mais barato que o seu concorrente mais directo e com toda a tecnologia envolvida, seria de esperar que, compreensivelmente, a qualidade de alguns elementos fosse mais modesta de forma a controlar os custos. Mesmo sendo uma versão de pré-produção, a montagem aparenta ser de excelente nível e os materiais de excelente qualidade acima do nível dos joelhos. Apenas nota negativa para alguns plásticos de fraca consistência no fundo da consola e as bolsas das portas sem alcatifa que evite ruídos, mas todos estes são elementos passíveis de alteração para a versão final. Ainda assim, é reconfortante ver o esforço da marca nos últimos lançamentos em melhorar a qualidade de construção, depois dos algo decepcionantes XE e XF X260.

Igual à da versão de produção será certamente a posição de condução excelente com todos os comandos bem posicionados e um novo volante com uma pega extremamente agradável, e uma lufada de ar fresco, para romper com o desenho estreado no F-Type que alastrou a toda a gama nos últimos 5 anos. Diferentes são também as manetes da coluna de direcção, que apresentam agora as pontas em alumínio que conferem um toque mais luxuoso ao interior.

A maior vantagem da arquitectura de um veículo eléctrico (pelo menos numa avaliação sem direito a condução) reside no amplo espaço interior disponível, que será possivelmente o mais desafogado de toda a gama Jaguar. Mesmo com o banco colocado na posição de um condutor com 1,85m, um adulto de igual estatura consegue sentar-se atrás sem qualquer tipo de transtorno, seja em comprimento, largura ou altura.

Também a bagageira é generosa e acima de tudo utilizável. Pena que, à semelhança do que acontece com os E-Pace e F-Pace, a chapeleira seja rígida sem possibilidade de rebatimento, restando como única hipótese a sua total remoção, ainda assim de excelente qualidade, o que não se verifica, por exemplo, no E-Pace.

Em suma, a Jaguar conseguiu um interior muito agradável e espaçoso, futurista mas simultaneamente que agradará aos clientes mais tradicionais e não esquece os amantes da tecnologia, tudo isto com um feeling verdadeiramente premium.

            

Em conclusão, neste contacto inicial foi possível testemunhar o enorme esforço da marca neste novo modelo no que toca a desenho e ambiente interior. Ficou a faltar o derradeiro teste, a condução, mas logo que possível completaremos este nosso primeiro contacto.

Se a experiência de condução estiver à altura daquilo que nos foi possível ver do novo I-Pace então a Jaguar tem nas mãos uma receita certa para o sucesso, não só deste SUV eléctrico como também da própria marca enquanto fabricante que pretende ser vanguardista na tecnologia eléctrica.

O Jaguar I-Pace está já disponível para encomenda a partir dos 80.416€ em 4 versões (S, SE, HSE e First Edition) e as primeiras entregas deverão ocorrer em Junho, altura em que será possível fazer um test-drive ao modelo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *