Condução: Jaguar I-Pace

O Jaguar I-Pace é possivelmente o Jaguar mais importante da história da marca ao longo de mais de 80 anos. Não só está na vanguarda da indústria automóvel como marca a viragem mais vincada em toda a vida da Jaguar. Depois de um breve contacto em Março, agora foi a vez da condução!

 

Estética

Apesar de já termos escrito sobre o design do I-Pace na nossa avaliação anterior, desta vez foi possível ver o I-Pace na estrada e em configurações menos “concept car” e com luz exterior.

Se ao início as proporções são estranhas, especialmente para um Jaguar, marca tradicionalmente conhecida pelos longos capots e carros baixos, após alguns minutos a forma faz todo o sentido. Manter um capot longo num carro que não necessita desse espaço para a unidade motriz seria apenas desperdício de espaço interior, mas já lá vamos.

A frente baixa e curta evolui para flancos musculados mas limpos de linhas desnecessárias, ajudados pelos puxadores de porta escamoteáveis. Por fim, uma traseira alta e “quadradona”, imposta pelas rígidas regras da aerodinâmica, mas onde os designers conseguiram um trabalho muito bom que disfarça o volume desta zona.

 

Interior

O interior do I-Pace é mesmo o maior beneficiário do desenho exterior. A frente curta, a enorme distância entre eixos e a traseira quadrada não só conferem um espaço interior apenas visto em modelos muito maiores como também uma bagageira de capacidade invejável.

A posição de condução é excelente, com todos os controlos bem à mão, apenas ligeiramente mais elevada que numa berlina tradicional, ainda que mais baixa que nos tradicionais SUV.

Também a qualidade interior está em alta, com materiais agradáveis ao toque e excelente montagem e que pareceram melhores ainda que a unidade avaliada anteriormente. Apenas um destaque negativo para a roda multifunções dos comandos do volante, com uma acção francamente indesculpável num veículo deste preço, mas resta o consolo de ser ainda uma unidade de pré-produção com algumas diferenças de pormenor para as versões de produção, que deverão chegar aos concessionários em Julho.

Destaque positivo para o excelente nível de equipamento daquela unidade, onde não faltava o tecto panorâmico que ajuda no excelente ambiente interior, os bancos e o volante aquecido, o head-up display e o excelente sistema de som Meridian, controlado pelo novo InControl Touch Pro Duo, herdado do Range Rover Velar e que, não sendo o mais fácil de utilizar do mercado devido ao controlo puramente táctil, os menus são simples e intuitivos.

 

Condução

Este era o único elemento que realmente faltava analisar no I-Pace e confesso que o medo era mais que muito. Este é um carro essencial para a Jaguar e para o mundo e caso a experiência não estivesse à altura poderia significar uma enorme oportunidade perdida.

Nada mais infundado, contudo. A experiência de condução do I-Pace não só é excelente como é divertida. Invariavelmente o motor domina toda a condução, como em qualquer veículo eléctrico. É uma experiência de condução diferente daquela que os motores de combustão proporcionam. Aqui o binário é instantâneo, o acelerador é rapidíssimo e a progressão é surreal. A aceleração é tão selvagem que é desconfortável, e é absolutamente impressionante dados os cerca de 2200kg do conjunto. Os 4,8 segundos anunciados no sprint aos 100km/h parecem muito conservadores atrás do volante e a entrega dos 400cv de potência combinada dos dois motores síncronos de ímanes permanentes tem feeling de pelo menos 600.

Naquilo que interessa mais no dia-a-dia, o silêncio domina a experiência, e de notar o excelente trabalho da marca no isolamento acústico, não só do rolamento como do vento, elementos mais difíceis de mascarar sem um motor de combustão a trabalhar ao fundo. Além disso, a suspensão pneumática opcional permite um excelente conforto em boas estradas, não se verificando o típico saltitar constante da maioria dos carros modernos. Já quando há imperfeições bruscas na estrada, como raízes ou calhas, é impossível mascarar o peso e a suspensão revela um acerto mais firme nessas situações, sem no entanto ser desconfortável ou perto disso.

Apesar desta dualidade de comportamentos, a suspensão lida bem com as transferências de massa, que são sempre controladas e suaves, também graças ao centro de gravidade muito baixo possibilitado pela instalação das baterias no piso do carro. A direcção é bastante precisa e relativamente comunicativa e os travões bastante naturais para um carro eléctrico. Na verdade, além do silêncio e da violência do binário, nada indica que estamos ao volante de um automóvel de características tão diferentes do normal. Simplesmente a Jaguar conseguiu normalizar a condução de um eléctrico e nivelá-la pelos padrões mais elevados.

A autonomia anunciada é de 480km no novo ciclo WLTP. A unidade ensaiada indicava uma autonomia de 310km no início do teste, com carga total, mas este valor tinha como referência os quilómetros anteriores que foram realizados fazendo uso pleno das capacidades dos motores. O facto é que, após cerca de 20km a autonomia tinha apenas perdido 8km do valor original, mesmo com uma condução não completamente regrada. Deste modo, é possível concluir que pelo menos os 400km de autonomia serão alcançáveis sem grande esforço.

 

Conclusão

A Jaguar precisava de acertar em cheio no I-Pace para causar estrondo no mercado antes de chegar a concorrência alemã, e pelo preço base de cerca de 80.000€ parece-nos que o alvo foi atingido com sucesso. O I-Pace não só é um excelente eléctrico como é um excelente carro, ou SUV, ou desportivo. Aparentemente não há uma categoria definida para ele.

Tem qualidade, tem excelente condução, tem espaço a rodos e ainda uma autonomia que já satisfaz a grande maioria das deslocações, Até o preço é o correcto para este automóvel revolucionário.

Se o mercado superar o preconceito, então estamos perante um caso sério de sucesso e de aproximação da realidade eléctrica a uma velocidade vertiginosa.


  • A Favor: Motor(es), Condução, Espaço, Qualidade geral, Autonomia
  • Contra: Visibilidade traseira, Sistema de entretenimento apenas com controlo táctil, Preconceito relativamente aos eléctricos

Jaguar I-Pace EV400 AWD HSE:

Bateria: 90 kWh

Potência máxima: 400 cv

Binário máximo: 696 Nm

Velocidade máxima: 200km/h

Aceleração 0-100 km/h: 4,8 segundos

Peso: 2208 kg

Preço da versão: 94.749€ (I-Pace a partir de 80.416€)

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