[Comparativo BCCP] A evolução do Rover XW (R8)

Enquanto as famosas cafezadas não voltam em plena força, nada melhor que um throwback aos dias de livre e despreocupado convívio. Numa dessas cafezadas, o British Car Club Portugal teve a oportunidade de fazer um pequeno comparativo casual com a evolução do modelo nas três fases mais distintas pelo qual atravessou.

Antes de mais temos de ressalvar que o teste foi efectuado entre três modelos usados, que já de si resulta em algumas diferenças decorrentes das condições de utilização, tentando ainda assim focar nas características intrínsecas aos modelos. Nenhum dos exemplares contava com alterações que comprometessem a análise. O comparativo foi realizado entre diversos condutores, tirando assim o veredicto consoante as observações comuns a todos.

Sem mais demora, vamos então ao que interessa:

Comparativo Rover XW: 214Si Mk1 vs 214SLi Mk2 vs 416SLi Tourer pós 1996

Os três exemplares ensaiados: 416SLi Tourer (1998) – 214SLi (1995) – 214Si (1991)

 

Quem já teve a oportunidade de estar ao volante deste modelo, principalmente tendo também experiência de condução nos modelos que o antecederam e precederam, pode afirmar que tem uma condução peculiar e particularmente divertida. Com um comportamento dinâmico claramente superior aos Rover 213/216 (XH) e com uma sensação menos filtrada, com mais “feedback” de tudo o que está a acontecer nas 4 rodas face aos Rover 200/25 (RF) e 400/45 (RT), não é difícil de perceber o porquê de ser um dos modelos que deixa mais saudades a quem um dia já teve um em sua posse, ou a vontade de manter de quem ainda os possui. Ainda assim, toda a experiência foi sendo alterada ao longo da vida do modelo, o que acaba por ser o foco principal deste comparativo.

 

  • Rover 214Si, 1991

Este exemplar, do ano de 1991, não sendo das primeiras unidades não conta com algumas das características que distinguem os primeiríssimos modelos, como por exemplo a patilha para engrenar a marcha-atrás ou os bancos com formato diferente. No entanto, as características mecânicas permaneceram inalteradas: a injecção monoponto, a ausência de catalisador, e os respectivos 95cv, assim como um setup de suspensão ligeiramente diferente dos exemplares mais modernos.

Para além disso, a especificação Si significa um nível de equipamento mais reduzido, sendo que para este comparativo é particularmente relevante a ausência de direcção assistida.

Começando precisamente por este ponto, a direcção, pode-se afirmar que esta unidade não assistida consegue elevar o fun factor neste modelo a um outro nível que os restantes não conseguem, ao transmitir bem mais o que se passa nas rodas dianteiras. Alguns dos condutores tiveram a oportunidade de experimentar também uma unidade de 1990 com direcção assistida, comprovando assim esta diferença.

Em contraste, a suspensão revela-se algo branda principalmente quando está em situações de maior solicitação, seja em curvas a ritmos mais vivos ou em irregularidades de maior dimensão. O carro, nestas situações, torna-se claramente mais descomposto, penalizando não só a condução como o próprio conforto.

Relativamente ao motor, de entre os três modelos é o que nos dá uma resposta mais imediata ao acelerador, como se de um carburador se tratasse. Quanto ao desenvolver em si, é muito semelhante ao motor 1.4 multiponto de 103cv também aqui ensaiado.

 

  • Rover 214SLi, 1995

 

Passando agora para um exemplar da última especificação do XW no seu estado “puro”, com injecção multiponto e colector de admissão em plástico, com throttle body de 48mm, temos um SLi consideravelmente mais equipado. Quatro vidros eléctricos, comando à distância, madeiras em todas as portas, airbag do condutor… São alguns extras que são provenientes tanto do nível de equipamento como do ano de modelo. Vamos focar-nos novamente na direcção, que agora é assistida.

Com esta direcção, o fun factor fica uma beirinha menos acentuado, seja pelo peso reduzido da direcção, assim como um feeling mais filtrado, transmitindo menos feedback das rodas dianteiras.

De forma inversa ao que acontecia nos exemplares de início de vida deste modelo, a suspensão melhorada destas unidades posteriores tem um efeito prático notório nos aspectos menos positivos do comportamento e ao nível do conforto. O XW passou a apresentar-se mais composto em condições algo adversas para o funcionamento da suspensão.

A resposta ao acelerador já não é dada da forma totalmente imediata como no caso da injecção monoponto, porém continua a incitar o condutor para uma condução mais… Divertida.

 

  • Rover 416SLi Tourer, 1998

A prolongação da vida das variantes Cabrio, SportCoupe (Tomcat) e Tourer após o fim dos modelos “base”, de 1996 até 1998, trouxe com ela algumas alterações ao modelo. Entre elas, temos a mais notória utilização do tablier do modelo Rover 200 RF juntamente com diferentes tonalidades dos interiores assim como padrões nos bancos. Mecanicamente, é de destacar a alteração do apoio do motor para uma unidade hidráulica como era utilizado nos 200 RF com motor 1.8, e passaria a ser utilizado nos Rover 25. Para além disso, o motor passou a ser de camisas húmidas, sendo o 1.6 agora a motorização de mais baixa cilindrada disponível. Ao contrário dos modelos até então, este 1.6 (de 111cv) passou a ser também o motor série K como nos 1.4, e não os Honda D16.

Ao contrário dos restantes dois exemplares em teste, que possuem jantes de 14″, a Tourer traz jantes de 15″ de origem, assim como discos dianteiros ventilados de 262mm ao invés dos de 240mm maciços.

Começando novamente pela direcção, foram mantidas praticamente na íntegra as características conforme descritas no 214SLi. O seu peso reduzido feeling mais filtrado cortam um pouco no fun factor, mas primam pela versatilidade conforme requerido para um uso diário.

Porém não é só a direcção que adopta esta filosofia. A suspensão, assim como todo e qualquer aspecto nesta carrinha, é claramente mais filtrada, o que corta ainda um pouco mais o divertimento na condução. Mesmo quando se tenta aproximar dos limites da carrinha, verifica-se que esta acaba por ser mais permissiva que os exemplares anteriores… Ainda assim sem que se obtenha o mesmo nível de gozo.

Também o motor é mais suave, mais filtrado. Porém, e tal como acontece nos seus contemporâneos Rover 200 RF e 400 RT, é sentida uma certa “inércia” na resposta ao acelerador. Com isto, a progressão que se faz sentir não aparenta ser superior, ainda para mais aliado à caixa ligeiramente mais longa do 1.6, sendo que na verdade vai ganhando velocidade com mais facilidade.

Tudo isto faz com que o ambiente a bordo seja mais relaxado, mais calmo, mas para quem conhece o modelo XW no seu estado mais “puro”… Faltando aquele factor ágil, leve, divertido.

De forma contraditória a toda esta sensação mais filtrada, a controversa introdução do tablier de Rover 200 RF deu origem ao surgimento do mesmo tipo de ruídos parasitas que ocorrem nestes modelos. Provavelmente em novo não se faria sentir e não seria tão crítico (apesar do exemplar testado não ser de longe dos piores neste aspecto), mas com o passar dos anos e respectiva utilização acaba por se tornar evidente.

É, sem dúvida, um modelo mais orientado para ser um carro melhor, mais actual, por forma a levar a plataforma do XW de 1989 até 1998. Com isto, o resultado foi um carro que chega a ser mais próximo de um Rover 400 RT do que do modelo no qual é realmente baseado, o XW.

 

  • Veredicto

A plataforma XW é vista hoje em dia, de certa forma, como um “brinquedo”. É um carro com uma condução viciante, de uma leveza que não é verificada nos modelos que o precederam.
Se há algo que é comum nos três exemplares é a travagem. O tacto esponjoso é intrínseco ao modelo, sem que, no entanto, exista falta de potência de travagem.
Destes exemplares, o 214Si, ajudado pela direcção não assistida e com os seus limites inferiores, é o mais “brinquedo” que se pode ter. Mesmo nas especificações com DA acaba por ganhar o prémio “fun factor”, também pela forma como responde ao pedal do lado direito.
A Tourer, com a sua sensação mais “filtrada” em todos os aspectos, levaria para casa um prémio de praticabilidade, e seria sem dúvida a versão a escolher para ser utilizada com base diária.
O 214SLi é um bom compromisso entre ambos, para alguém que procure um bom brinquedo que possa ser utilizado diariamente.
No fim do dia, seria uma escolha complicada a tomar, e dependeria muito da utilização que se iria dar… O mesmo modelo, mas com diferenças não tão ténues quanto isso.

 

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